Era uma vez um menino que vivia sendo zombado pelos coleguinhas...
Sempre era isolado e não se dava bem com as meninas...
Tinha uma família conservadora e muito fechada...
Não se preocupava com a aparência porque para seus pais a beleza não era importante, embora vivessem apenas de aparências...
Sempre fazia perguntas e ouvia um "cale a boca" ou "não fale sobre isso" como resposta...
E foi crescendo, sem entender muitas coisas...
Mas foi aprendendo...
Não pelos seus pais...
Então, foi formando assim seu caráter...
Tornando-se muito diferente do que seus pais queriam...
Mas, como poderia ser como os pais se ele nem os conhecia?
Assim, cresceu sozinho, descobrindo por si mesmo o mundo ao seu redor...
Tornando-se quem ele queria ser...
Procurava cuidar de sua beleza, usar roupas bonitas, aprender a se comportar...
Indo para onde queria, por não poder fazer isso quando era criança...
Fazendo o que julga ser certo, tendo um senso diferente de sua família, por ter aprendido o certo e o errado de fora de sua casa...
Enfim, fez sua vida como lhe foi conveniente...
Quando jovem, tornou-se muito popular...
sempre rodeado de pessoas, admirado por outras...
Algumas pessoas até tinham medo de se aproximar e "tomar um fora" dele...
Mas este menino, embora aparentemente feliz e realizado, era alguém sozinho...
Sabia fazer bem muitas coisas, era bonito e bem vestido...
Era comunicativo...
Fazia amizade rápido...
Mas era triste...
Descobriu que ele era parte de um jogo de política de seus pais...
Tendo como pai uma figura pública, seria muito bom para a imagem dele ter filhos...
E ele era parte disso...
Uma família apenas de fachada...
E viu que ele nunca deixou de ser a mesma criança de sempre...
Não tinha amigos de verdade...
Não tinha confidentes...
Nem sempre tinha companhia...
Estava rodeado de amigos e ao mesmo tempo não tinha ninguém...
Vi que eu acabei ficando como meus pais...
E percebi o quanto eu tinha me tornado superficial...
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Porta-retrato
Percebemos o quanto a nossa rotina ofusca os momentos felizes que vivemos, e então agradecemos por termos registrado cada companhia, cada lugar, cada sorriso em uma fotografia.
Tantas coisas vividas e a vida sempre volta ao normal...
Ao passarmos por aquela foto onde se está ao lado da pessoa que se foi, o arrependimento por ter vivido aquele momento tão intensamente e ter deixado que, depois disso tudo, ela fosse embora...
A vida sempre volta ao normal...
Aquele momento feliz se acabara e tudo era, novamente, rotina.
As fotografias nos deixam nostálgicos, nos deixam pensativos e, talvez, nos façam lembrar não só dos momentos, mas das pessoas e de quem fomos para elas...
Nos fazem pensar em se ela, ao rever esta mesma foto, abriria um sorriso ou deixaria que uma lágrima de tristeza rolasse pelo seu rosto...
Fotografias não nos deixam esquecer de momentos importantes para nós, como a primeira "janelinha de dente", o primeiro corte de cabelo, o primeiro dia de aula...
enfim...
Fotografias nos fazem olhar pra trás...
reviver momentos de alegria, de dor...
Nos fazem pensar em quem nós somos e quem nós éramos...
Talvez, para alguns de nós, faça-nos pensar em quem nós queremos ser, em quem poderemos ser e em quem estamos nos tornando...
Ao nos encararmos num porta-retrato, é como nos vermos num "espelho do tempo"
olhamos para aquela imagem e pensamos em quantas coisas a gente já viveu...
E então a gente pára e se pergunta:
O que mais falta viver?
Ao tentarmos encontrar alguma resposta, entendemos enfim que a vida perdeu o sentido.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Convicção
Sempre tive certeza de tudo na minha vida.
Sempre soube o que eu queria fazer, onde eu queria ir, quem eu queria ser...
enfim...
Até que um dia alguém entrou na minha vida para confundir tudo o que eu tinha de mais concreto, enchendo meu caminho de atalhos incertos, os quais eu, ingênuo, cismei em trilhar,
de palavras lançadas em vão ao vento, as quais eu, ainda que iludido por elas, fiz questão de ouvir...
uma a uma...
formando em mim, sem perceber, um oceano de emoções platônicas perdidas no silêncio de um olhar...
Um olhar que não cruzava o meu...
E eu tentando simplesmente chamar sua atenção pra mim...
Hoje eu tenho certezas de novo...
Certeza de que não valeu a pena tantas dúvidas...
Certeza de que eu sempre tive certeza, só não queria aceitá-las...
Certeza de que não valeu a pena nenhuma palavra, nenhum olhar, nenhum beijo...
Não valeu a pena te dar minha atenção...
Hoje eu entendo que o único merecedor do meu amor sou eu mesmo...
Assim, me levanto todos os dias sem mais te ver ao meu lado...
E não me sinto incompleto...
Pelo contrário...
Me sinto, finalmente, feliz!
Sempre soube o que eu queria fazer, onde eu queria ir, quem eu queria ser...
enfim...
Até que um dia alguém entrou na minha vida para confundir tudo o que eu tinha de mais concreto, enchendo meu caminho de atalhos incertos, os quais eu, ingênuo, cismei em trilhar,
de palavras lançadas em vão ao vento, as quais eu, ainda que iludido por elas, fiz questão de ouvir...
uma a uma...
formando em mim, sem perceber, um oceano de emoções platônicas perdidas no silêncio de um olhar...
Um olhar que não cruzava o meu...
E eu tentando simplesmente chamar sua atenção pra mim...
Hoje eu tenho certezas de novo...
Certeza de que não valeu a pena tantas dúvidas...
Certeza de que eu sempre tive certeza, só não queria aceitá-las...
Certeza de que não valeu a pena nenhuma palavra, nenhum olhar, nenhum beijo...
Não valeu a pena te dar minha atenção...
Hoje eu entendo que o único merecedor do meu amor sou eu mesmo...
Assim, me levanto todos os dias sem mais te ver ao meu lado...
E não me sinto incompleto...
Pelo contrário...
Me sinto, finalmente, feliz!
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